Juntos Pela Água

Tecnologias brasileiras prometem baratear a detecção de vazamentos de água

Hoje, estima-se que, para cada 10 litros de água limpa produzida no Brasil, 3,67 litros são perdidos – seja por meio das chamadas perdas físicas ou por perdas aparentes (leia quadro no fim da matéria). Combater as perdas desse precioso recurso é fundamental. E, em breve, a luta, nesse sentido, deve ganhar dois novos aliados tecnológicos desenvolvidos no País.

O robô que caça vazamentos
Reparos e inspeções em tubulações inacessíveis são tão importantes de fazer quanto são caros e trabalhosos. Chegar a essas tubulações frequentemente requer obras que demoram e atrapalham a vida de ruas, bairros e até cidades. Para contornar a dor de cabeça que é ter que abrir um buraco para chegar na infraestrutura de distribuição de água, três engenheiros goianos criaram a RYD Engenharia, hoje incubada no Centro de Empreendedorismo e Incubação da Universidade Federal de Goiás (UFG), e desenvolveram o robô VX1-300.

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A novidade tem duas câmeras, iluminação própria, sensores que detectam inclinação e aceleração, e sistema que envia informações da inspeção em tempo real via cabo de 100 metros de comprimento até um terminal. O melhor de tudo: segundo seus criadores, ele custa um quinto do valor das versões americanas e europeias atualmente disponíveis no mercado e com custo médio de R$ 1,5 milhão. A RYD já faz apresentações do produto a clientes em potencial e despertou interesse de indústrias como a de serviços ambientais e fornecimento de água.

Confira vídeo do VX1-300

Um detector de vazamentos para o Brasil
Os “correlacionadores de ruído” não são exatamente uma novidade no ramo da detecção de vazamentos no Brasil. Mas esses equipamento são caros e importados (cerca de R$ 100 mil, sem impostos e frete) e, por isso, nem sempre estão disponíveis nas quantidades necessárias. Cientes desse problema, um grupo de pesquisadores criou um projeto que se vale do acordo de cooperação firmado entre Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) e Unesp (Universidade Estadual Paulista) para desenvolver um correlacionador de ruídos inteiramente nacional – e mais em conta.

Liderado pelo pesquisador Inglês Michael Brennan, o projeto já está na fase de testes no CEQ (Centro de Exames e Qualificações) do Complexo Costa Carvalho da Sabesp, na capital paulista. O correlacionador de ruídos brasileiro tem hardware e software nacionais e será desenvolvido com as especificidades locais em mente, como tipo de solo, material das tubulações e outras variáveis. A aposta é que, em breve, se tenha um produto desenvolvido e pronto para o mercado.

O que é perda física e perda aparente
A imagem clássica do fluxo contínuo de água limpa escorrendo ininterruptamente de um vazamento representa, apenas em parte, a realidade das perdas deste precioso recurso. Chamada de perda física ou perda real, essa forma mais reconhecível de desperdício corresponde a cerca de 60% de toda perda de água no País. E ela tem como causas mais frequentes a idade da tubulação, o assentamento indevido desta tubulação – que estressa o material -, variações de pressão na rede e movimentação do solo.

Os outros 40% são das chamadas perdas aparentes e dizem respeito à água tratada e distribuída, mas que não gera nenhum tipo de receita. De maneira geral, nessa categoria, incluem-se as perdas com instalações irregulares – os famosos “gatos” e furtos de água – e as fraudes ou problemas técnicos em hidrômetros, chamados também de erros de micromedição.

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