Juntos Pela Água

O que o surto de febre amarela tem a ver com a água

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SÃO PAULO – Estamos em pleno surto de febre amarela na região Sudeste, em especial nos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Até a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu São Paulo entre as áreas de risco para a doença, o que significa que a agência, hoje, recomenda a vacinação a quem vai visitar o Estado. Mas o que é a febre amarela? E qual a relação da doença com a água?

O que é a febre amarela

A febre amarela é uma doença causada por um arbovírus da família Flaviviridae e é transmitida pela picada dos mosquitos Haemagogus (febre amarela silvestre) e Aedes aegypti (febre amarela urbana) – chamados de vetores da doença. Segundo o Ministério da Saúde, a febre amarela tem, como sintomas, dores de cabeça, febre, dores pelo corpo, calafrios e náuseas. Pele e olhos amarelados e urina escura, além de vômitos, sangramento de gengiva, nariz, estômago e intestino são características da fase avançada da doença, conhecida como fase tóxica.

Febre amarela, água e saneamento

A água faz parte do ciclo da febre amarela por que é nela que os ovos dos mosquitos Haemagogus e Aedes aegypti, que transmitem o vírus para os seres humanos e outros vertebrados, eclodem. Sem água limpa e parada, os ovos não eclodem e não viram larvas. Se não há larvas, não há mosquitos, e se não há mosquitos, não há febre amarela.

Porém, não se pode atribuir um surto do tamanho e da gravidade do que se vê hoje, no Brasil, apenas à má gestão dos recursos hídricos. A água, embora fundamental no ciclo de vida do mosquito que transmite a doença, é só uma parte do problema.

Vale lembrar que, desde a década de 1940, não se registram ocorrências de febre amarela urbana – a que é transmitida pelo Aedes aegypti. Todos os casos do surto atual são de febre amarela silvestre, transmitida pelo mosquito Haemagogus que, diferente do Aedes aegypti, se reproduz, preferencialmente, em áreas de vegetação. Não à toa, a cidade de Mairiporã, epicentro da febre amarela no Estado de São Paulo, tem grandes áreas cobertas pelas florestas do parque da Cantareira.

“O problema final é na saúde, mas essas doenças não têm seu início na saúde”, lembrou José Augusto Britto, coordenador da Rede Dengue, Zika e Chikungunya da Fiocruz, em entrevista ao Juntos Pela Água em 2017 sobre a dengue – que se dissemina por meio do mesmo vetor de transmissão da febre amarela urbana. “A questão está relacionada à coleta de lixo, oferta de água, e tratamento de esgoto, pois o vetor da doença é que precisa ser combatido”.

Medidas parecidas com as que foram usadas no combate ao surto de dengue nos últimos anos, com foco no saneamento e no cuidado com o armazenamento de água, coleta e disposição adequada de resíduos sólidos, são importantes ferramentas para evitar que a febre amarela urbana não retorne. Leia matéria da Folha de S.Paulo que explora as hipóteses para a alta da febre amarela e a importância dos esforços para evitar o retorno da vertente urbana da doença.

Ciclo da doença e prevenção

A doença da febre amarela é descrita como de curta duração – até 10 dias – e gravidade variável. De cordo com o Ministério da Saúde, não existe tratamento específico. “O tratamento é apenas sintomático e requer cuidados na assistência ao paciente que, sob hospitalização, deve permanecer em repouso com reposição de líquidos e das perdas sanguíneas, quando indicado. Nas formas graves, o paciente deve ser atendido numa Unidade de Terapia Intensiva. Se o paciente não receber assistência médica, ele pode morrer.”

Hoje, a prevenção envolve, primeiro, a vacinação contra a febre amarela – veja quem deve se imunizar e respostas para as principais dúvidas em torno da imunização neste especial da Agência Lupa – e a eliminação dos criadouros do mosquitos vetores da doença. Sabe-se, por exemplo, que em regiões onde o fornecimento de água não é contínuo e a população tem de estocar o recurso com baldes, tonéis e outros equipamentos improvisados, aumenta a incidência de criadouros.

Como combater os mosquitos Haemagogus e Aedes aegypti

Parte importante do combate aos mosquitos Haemagogus e Aedes aegypti se faz por meio da eliminação de seus criadouros. É na água parada que eles – e boa parte das outras espécies de mosquito – se reproduzem. Garrafas, sacos plásticos e pneus velhos expostos à chuva, plantas que armazenam água – como as bromélias – e recipientes sem tampa precisam ser cobertos ou guardados. A Agência Nacional de Saúde Suplementar criou um guia explica, passo a passo, como eliminar criadouros em casas e apartamentos com uma vistoria de 15 minutos.

Entenda melhor a relação entre saneamento e o mosquitos, entre eles o Aedes aegypti, nas matérias “Saneamento básico é fundamental no combate ao Aedes” e “Saneamento básico é aliado no combate ao mosquito Aedes aegypti”, produzidas pelo Juntos Pela Água em 2016 e 2017. Confira, também o ESPECIAL: Saneamento no Brasil, de 2017, que traz números importantes sobre acesso da população brasileira aos serviços de água e esgoto.

 

Confira, abaixo, a íntegra de uma transmissão feita pela Fundação Oswaldo Cruz em 25 de janeiro que responde, durante mais de uma hora, as dúvidas mais comuns sobre a febre amarela.

(Com Agência Brasil)

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